Uma corrida, uma causa: app de Cachoeira transforma viagens em tratamento para criança autista
- Magaiver Dias

- há 2 dias
- 2 min de leitura
Em uma época em que startups buscam incessantemente o modelo de negócio ideal, uma família de Cachoeira do Sul encontrou a fórmula mais poderosa: a do propósito familiar. O aplicativo Já Chego!, mais do que uma solução para quem precisa se locomover na cidade, é um mecanismo de financiamento contínuo e uma declaração de amor. Criado pelo casal Giovane Oliveira e Eduarda Magalhães, ele canaliza parte do valor de cada viagem diretamente para as terapias do filho Théo, de 5 anos, diagnosticado com autismo nível 3.
A ideia surgiu da intersecção entre uma necessidade urgente e uma competência profissional. Giovane, formado em Sistemas de Informação, viu na tecnologia a alavanca para gerar os recursos necessários ao tratamento intensivo do filho. “Percebemos que precisávamos de uma renda extra, mas que fosse algo com significado, que estivesse diretamente ligado ao bem-estar do Théo”, conta o empresário, que atua como CEO da plataforma. Enquanto isso, Eduarda, sua esposa, concentra-se no núcleo da missão: o acompanhamento diário e terapêutico da criança, além dos cuidados da caçula Isabelly, de 1 ano.
O modelo é simples na execução, mas profundo em seu impacto. O usuário solicita uma corrida, como em qualquer outro serviço de mobilidade, mas com a diferença de que parte do valor pago segue para um fundo destinado a fonoaudiologia, terapia ocupacional, materiais de apoio e outros recursos essenciais para o desenvolvimento de Théo. “É um ciclo virtuoso: a cidade ganha mais uma opção de transporte de qualidade, e nós ganhamos a possibilidade de oferecer ao nosso filho o que ele precisa, sem depender exclusivamente de sistemas públicos ou doações”, explica Eduarda.
Uma plataforma que também educa
O projeto familiar transcende a barreira do serviço. A presença digital do Já Chego! é utilizada como um instrumento de educação e conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). O casal compartilha informações, desfaz mitos e promove a compreensão sobre a neurodiversidade, contribuindo para uma comunidade mais informada e acolhedora.
O sucesso da iniciativa, mensurável pelo número de downloads e corridas realizadas, alimenta um sonho de escala social. “Nosso objetivo é solidificar o aplicativo e, futuramente, criar um fundo ou uma rede para apoiar outras famílias da região que enfrentam desafios semelhantes”, planeja Giovane. A ideia é que o mecanismo criado para sustentar uma criança possa, um dia, se estender a várias.
Mobilidade com rosto humano
A história do Já Chego! resgata um conceito esquecido no mundo dos negócios digitais: o de que a tecnologia deve estar a serviço das pessoas, em sua forma mais concreta e humana. Enquanto Théo avança em seu desenvolvimento, cada motorista parceiro que se cadastra e cada passageiro que escolhe o serviço tornam-se, involuntariamente, parte dessa rede de apoio.
O aplicativo prova que inovação não está apenas na complexidade do código, mas na simplicidade do gesto de transformar um serviço cotidiano em uma ponte para a inclusão. Em Cachoeira do Sul, a pergunta “quanto custa a corrida?” carrega, agora, uma segunda camada de significado: é também o custo de um estímulo, de uma sessão de terapia, de um sorriso conquistado.
















Comentários